4 de jan de 2017

Tudo mentiras e absurdos II


Relaxe seus olhos... Observe sua respiração...
Mova sua atenção pelo corpo – parte por parte, pedaço por pedaço -, e percebendo alguma tensão, respire nesses pontos e simplesmente solte tudo - relaxe.

O Zen é pura essência, apenas fragrância.
Observando sua respiração mova-se da mente para a não mente... Mova-se das palavras para o silêncio...
A pessoa medíocre vive através de objetivos. Somente uma pessoa absolutamente inteligente pode viver sem objetivos; somente a inteligência pode viver aqui e agora, pode viver no momento presente, sem trazer nada de fora.

Visualize uma linda flor... Sinta sua fragrância...
Uma pessoa de inteligência absoluta se torna uma flor. As flores vivem no momento presente, elas não pensam no dia de amanhã - elas não têm passado nem futuro. E devido a não ter passado nem futuro, também não se pode dizer que ela vive no presente, pois o presente é apenas uma estação intermediária entre o movimento que acontece do passado para o futuro. O presente é apenas uma estação no caminho. Quando o passado e o futuro desaparecem, o presente também desaparece. O que sobra é uma ausência de tempo. O agora é um momento de ausência de tempo, ele é eternidade – e Buda chama esse momento de meditação.

Buda tem um alcance bem mais amplo, ele vai ir até o mais distante céu e deseja que você chegue àquelas alturas e profundidades do ser. E elas estão todas disponíveis agora! Então, lembre-se continuamente: ele não está lhe dando um objetivo em algum lugar no futuro – ele está tornando você simplesmente consciente de que tudo o que você precisa está disponível agora. Nada mais é necessário, nada mais nunca acontecerá ou poderá acontecer. Se você deseja viver, tudo está ocorrendo agora – torne-se parte disso, dissolva-se nisto.

Texto publicado em junho de 2011 e modificado em janeiro de 2017

3 de jan de 2017

Tudo mentiras e absurdos I


Relaxe seus olhos... Observe sua respiração...
Mova sua atenção pelo corpo – parte por parte, pedaço por pedaço -, e percebendo alguma tensão, respire nesses pontos e simplesmente solte tudo - relaxe.

Descobrir sua verdadeira natureza, entrar em contato com sua essência, descobrir a verdade, não é uma mercadoria desejada pelas pessoas. Elas acham que já a conhecem e, mesmo se acharem que não a conhecem, elas pensam: “Quem precisa delas”? Suas necessidades são por mais magia, ilusões e sonhos em suas vidas.
Descobrir a própria essência não interessa as pessoas. No momento em que uma pessoa se torna interessada pela verdade, ela não é mais parte da massa – ela se torna um indivíduo. Do contrário, ela permanece parte da multidão e não existe realmente. Mas a busca é árdua, e ela necessita de coragem, de inteligência e de consciência.

Em uma passagem, Buda afirma não haver objetivo na vida – nada a ser alcançado externamente – deixe isso penetrar em seu coração. Não há objetivo na vida.
O objetivo não existe, ele é imaginário, é sua criação. Você cria o objetivo, então você cria a virtude e o pecado e, então, a humanidade é dividida em santos e pecadores. Aqueles que estão se movendo em direção aos objetivos são virtuosos e aqueles que não estão se movendo em direção aos objetivos são pecadores. Abandone o objetivo, e os santos, os pecadores, as divisões, o mais elevado, o mais baixo desaparecerão e não haverá céu ou inferno.
Perceba a importância disso! A ideia do objetivo cria o céu e o inferno. Aqueles que estão se movendo em direção ao objetivo, as pessoas obedientes e boas, serão recompensados com o céu. E aqueles que não estão indo em direção ao objetivo, os pecadores, as pessoas más, serão punidos com o inferno.
Perceba... Primeiro você cria o objetivo e então tudo segue... então são criados o céu e o inferno, os santos e pecadores, o medo de perder o objetivo e o ego de atingir o objetivo. Você criou toda confusão, toda neurose da mente.
Buda vem e ataca a própria raiz da confusão: ele diz que não há objetivo. Apenas esta simples afirmação pode se tornar uma força libertadora: não há objetivo. Então a pessoa não está indo a lugar algum e está sempre aqui; ela nunca está indo a lugar algum, não há lugar para se ir e ninguém para ir. Tudo sempre esteve aqui e sempre esteve disponível.
O objetivo significa futuro; portanto você começará a ficar mais interessado no futuro e a se esquecer do presente. O objetivo cria tensão, angústia, medo – “vou consegui-lo ou não?” -, cria competição, inveja, conflito e hierarquia. Aqueles que estão se aproximando do objetivo são superiores e os que não estão são inferiores.
O entendimento de Buda é completamente diferente. Ele diz: “A vida em si mesma é seu próprio sentido”. Você não precisa criar qualquer outro sentido, e todos os sentidos criados se tornarão apenas fontes de ansiedade. A rosa que desabrocha no jardim não está desabrochando por algo mais! E o rio que flui para o oceano não está fluindo por algo mais - o fluxo é a alegria, o florescimento é a celebração.
Quando você fica muito orientado pelo futuro, começa a se esquecer do presente, o qual é a única realidade.
Os pássaros cantando, este momento!... Este aqui e agora... Tudo isso é esquecido quando você começa a pensar em termos de alcançar algo. Quando surge a mente conquistadora, você perde o contato com o paraíso em que você está.
Esta é uma das abordagens mais libertadoras: ela libera você agora mesmo! Esqueça-se de tudo sobre pecado e santidade; ambos são estúpidos, ambos destruíram todas as alegrias da humanidade. O pecador está se sentindo culpado, daí sua alegria ser perdida. Como você pode desfrutar da vida se está continuamente se sentindo culpado; como pode desfrutar da vida, se você está indo continuamente à igreja para confessar que fez isso e aquilo de errado¿ E errado, errado, errado... Toda sua vida parece ter sido feita de pecados. Como você pode viver com alegria?
Torna-se impossível ter deleite na vida. Você fica pesado e carregado. A culpa se aloja em seu peito como uma rocha e o esmaga; ela não permite que você dance. Como a culpa pode dançar, cantar, amar e viver?
E a pessoa que acha que é santa também não pode viver e se deleitar, pois ela está com medo: se ele tiver deleite, poderá perder a sua santidade; se ela rir, poderá cair de sua posição. A risada é mundana e a alegria é comum – o santo precisa ser sério, e ter uma face triste. Ele não pode segurar a mão de alguém, pois pode se apaixonar e surgir o apego. Ele não pode relaxar, pois, se o fizer, seus desejos reprimidos começarão a emergir. Um santo não pode relaxar; e se não pode relaxar como pode desfrutar e celebrar?
O pecador perde devido a culpa e o santo perde devido ao ego – ambos são perdedores. Objetivos são criadores de infelicidade.
A mente conquistadora é a fonte original de todas as enfermidades, de todas as doenças.

Buda diz: “Não há lugar para se ir – relaxe”.
No fundo, você é apenas um bambu oco, e a existência flui através de você por nada além do puro deleite de fluir.
Observe as rosas, a grama, os rios e as montanhas, viva com a natureza, e lentamente você perceberá que nada está indo a lugar algum. Tudo está se movendo, mas não para alguma direção e objetivos.
Dissolva as metas, os objetivos.  Nesse silêncio, a vida se torna a única escritura e se torna tudo que existe.
Viva e saiba, viva e sinta, viva e seja.

Texto publicado em junho de 2011 e modificado em janeiro de 2017