17 de abr de 2016

A porta vazia está escancarada I


O ser humano está absolutamente inconsciente do seu próprio ser. Ele tenta saber de tudo, exceto do seu próprio ser; O ser humano age assim, pela simples razão de que ele pensa que conhece a si mesmo.
Nós somos, mas nós não sabemos quem somos. Nossos nomes nos enganam: eles nos dão uma certa sensação como se isso fosse o que nós somos. Nosso corpo refletido no espelho, nosso rosto refletido nos olhos das pessoas vai nos dando uma certa ideia de nossa identidade. E então, devagar, bem devagarinho, vamos juntando todas essas informações e criando uma imagem de nós mesmos – imagem que é completamente falsa. Este não é o modo de se conhecer. A pessoa não pode se conhecer por se olhar no espelho, porque os espelhos podem apenas refletir o seu corpo – e você não é o seu corpo. Você está no corpo, mas você não é o corpo. Seu comportamento, seu caráter, suas ações podem mostrar sua mente, mas não você.
A menos que você tome ciência da sua consciência, a menos que você se torne ciente da sua luz interior, você vai continuar vivendo nas ilusões... E nós perpetuamos as ilusões porque elas são baratas, facilmente disponíveis – não custam nada, e podem ser-nos dadas por outros.
Descobrir a si mesmo é muito difícil: é explorar, é investigar o seu próprio ser. É mais fácil ir ao Everest. É muito difícil ir ao próprio centro, pela simples razão que você terá que viajar sozinho, inteiramente sozinho. Como diz Plotino (místico grego): “É viajar do só para o sozinho”.
Eis porque tão pouca gente tornou-se iluminada, quando na verdade é direito de nascimento de todo mundo, tornar-se iluminado. E se às vezes, por acidente, as pessoas ficam interessadas em saber sobre elas mesmas, elas imediatamente tornam-se vitimas das palavras – teorias, filosofias, ideologias... Vítimas das escrituras, das doutrinas, dos dogmas – perdidas na selva das palavras. Sim, você encontrará lindos dizeres nas escrituras, imensamente grávidos de significado, mas você não é capaz de descobrir a si mesmo, como pode descobrir o significado das palavras de um Buda, de um Jesus. Impossível!
Você pode compreender apenas aquele tanto que você experienciou – a compreensão nunca vai além da sua experiência. Palavras você pode acumular – você pode tornar-se um erudito, um grande erudito. E de novo você estará numa nova espécie de ilusão, a ilusão que a informação cria. Quanto mais informação você tem, mais você pensa que sabe.
A informação é pensada como sendo sinônimo de saber, mas ela não é. Saber é um caso totalmente diferente. Saber é experienciar. A informação é acumulada no sistema de memória. Um computador pode fazer isso, não há nada de especialmente humano nisso.

Noventa e nove por cento dos supostos religiosos – santos, mahatmas – são apenas eruditos. No que concerne às palavras, eles são muito astuciosos, mas se você olhar no fundo se seus olhos, você descobrirá simplesmente os mesmos estúpidos seres humanos.
Foi isso o que aconteceu a milhões de pessoas por todo o mundo. Os cristãos mataram milhares de pessoas em nome de Cristo, com a Bíblia nas mãos, assassinando, chacinando. Os muçulmanos fizeram o mesmo; os hindus fizeram o mesmo.
E os hindus falam em não violência, amor, amizade, amor universal, amor divino... No que diz respeito as palavras, as pessoas são muito astutas (muito espertas) e podem continuar elaborando com as palavras, filosofando, mas suas consciências permanecem inalteradas. Nada mudou.
O homem religioso ainda não chegou; uma sociedade religiosa ainda tem que acontecer; uma cultura religiosa ainda está no futuro – no horizonte, mas nós temos de trazê-la – ela ainda não aconteceu. Aconteceu em alguns casos individuais aqui e ali, mas essas pessoas podem ser contadas nos dedos.

Então, a questão é saber: Quem sou eu? É a partir daí que começa a verdadeira evolução.
Nesse momento olhe dentro, olhe profundamente dentro. Observe toda a escuridão que envolve o seu ser – raiva, ressentimentos, mágoas, medo, ansiedade...

Observe sua atenção para a respiração... Observe a respiração, momento a momento, e penetre no âmago mais profundo do seu ser...

E o mais belo método para se entrar no âmago mais profundo do seu ser é transformar a sua consciência e chegar a um ponto de repouso, de silêncio profundo, de profunda harmonia interior.

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