4 de mai de 2013

O inútil II



Então, agora, vamos entrar no sutra, O Inútil.
Sutra: Todo o seu ensinamento se baseia no que não tem utilidade.

Chuang Tzu e seu mestre estavam sempre falando do inútil, eles até elogiavam os homens que eram inúteis. Eles vivem elogiando o inútil, porque dizem que o útil sempre estará em dificuldade.
Perceba... O mundo vai usar você, todo mundo está pronto para usar você, para manipular você, para controla-lo. Se você é inútil, ninguém vai olhar para você, as pessoas vão se esquecer de você, elas vão deixar você em silêncio, não vão se preocupar com você. Elas simplesmente não vão dar conta de que você existe.
Chuang Tzu insiste muito nisso: Fique atento e não se torne muito útil, caso contrário as pessoas vão explorá-lo. Então elas vão começar a manipular você e você estará em apuros. E, se você pode produzir coisas, irão força-lo a produzir durante toda a sua vida. Se você puder fazer uma determinada coisa, se você for habilidoso, então você não pode ser desperdiçado.
Ele diz que a inutilidade tem sua utilidade intrínseca. Se você pode ser útil para os outros, então você tem que viver para os outros. Inútil, ninguém olha para você, ninguém presta atenção em você, ninguém se incomoda com o seu ser. Você é deixado em paz. No mercado, você viverá como se estivesse no Himalaia. E nessa solidão você cresce. Toda sua energia se volta para dentro.

E o sutra continua: “Se você não aprecia o que não tem utilidade, não pode começar a falar do que pode ser útil”.

Ele disse que o inútil é o outro aspecto do útil. Você só pode falar sobre o útil por causa do inútil. É uma parte vital. As coisas são úteis porque existem coisas que são inúteis.
Mas isso aconteceu com o mundo. Eliminamos todas as atividades lúdicas, pensando que, assim, toda a energia estaria se movendo para o trabalho. Mas agora o trabalho tornou-se aborrecimento.
O que acontece depois de você trabalhar o dia inteiro? Você dorme. O que acontece? Você vai do útil para o inútil. E é por isso que de manhã você se sente tão revitalizado, tão vivo, tão leve.
É por isso que a meditação pode lhe dar os maiores vislumbres, porque é a coisa mais inútil do mundo. Você simplesmente não faz nada, você simplesmente fica em silêncio.
É maior do que o sono porque no sono você está inconsciente; por isso, tudo o que acontece, acontece inconscientemente.
Na meditação você move conscientemente. Então você se torna consciente do caminho: como passar do mundo útil de fora para o mundo inútil interior. E se você sabe o caminho, você pode simplesmente se voltar para dentro a qualquer momento. Sentado num ônibus você não precisa ficar fazendo nada, você está simplesmente sentado; viajando num carro ou trem ou avião, você não está fazendo nada, tudo está sendo feito por outros, você pode fechar os olhos e ir para o inútil, o interior. E de repente, tudo se torna silencioso, e de repente tudo ganha um frescor, e de repente você está na fonte de toda a vida.
Mas lembre-se: Sua meditação não tem valor no mercado. Você não pode vendê-la, não pode dizer: “Eu tenho uma ótima meditação. Alguém está disposto a comprá-la”?  Ninguém vai estar disposto a comprá-la. Não é uma mercadoria, é inútil.

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