8 de ago de 2012

Raiva, tristeza e depressão I


Observe a mente... Sempre projetando o futuro... Um futuro de sonhos onde tudo será diferente.
O ser humano sempre viveu com esperança, um futuro, um paraíso em algum lugar distante.
Ele nunca viveu no presente, sua era dourada estava sempre no futuro. E isso lhe dava entusiasmo porque o melhor ainda estava para acontecer; todos os seus anseios seriam realizados. Havia uma grande alegria por antecipação.
O homem sofria no presente; era infeliz no presente, mas tudo isso ficava completamente esquecido nos sonhos que seriam realizados no futuro.
Os profetas religiosos, os messias, os salvadores viviam prometendo às pessoas toda sorte de delícias no paraíso.
Com esses sonhos aos quais recorrer, as desgraças do presente pareciam insignificantes. Havia entusiasmo no mundo; as pessoas não viviam deprimidas.
Mas a situação mudou.
A depressão é um fenômeno contemporâneo e que passou a existir porque agora não existe mais amanhã.
Todas as ideologias políticas caíram por terra – não há possibilidade de que haja igualdade entre os homens, não há possibilidade de que todos os sonhos sejam satisfeitos. E isso provocou um grande choque.
Ao mesmo tempo o ser humano amadureceu. Ele sabe que nenhum messias virá nos salvar.
Os Hindus esperam há cinco mil anos pela volta de Krishna. Ele prometeu que viria não apenas uma vez, mas sempre que houvesse aflição, sofrimento. Mas durante cinco mil anos não se viu nem sinal dele.
Jesus prometeu que voltaria, e quando lhe perguntaram quando, ele respondeu, “muito em breve”. Ora, eu posso esticar esse “muito em breve”, mas não por dois mil anos.
A ideia de que a nossa aflição, a nossa dor, a nossa angústia nos serão tiradas já não convence mais.
A realidade é que o ser humano sempre viveu na pobreza. E a pobreza tem uma coisa bela: ela nunca destrói a sua esperança, nunca contradiz os seus sonhos, sempre traz entusiasmo com relação ao amanhã.
Os pobres afirmam: “Esse período sombrio já está passando; logo haverá luz”.
A depressão só existe nos países desenvolvidos ou em desenvolvimento, onde as pessoas já conseguiram tudo que sempre almejaram.
Durante a vida toda você tentou ganhar dinheiro, pensando que um dia, quando o tivesse, conseguiria ter uma vida tranquila. Mas, nesse meio tempo, você viveu tenso a vida toda, a tensão se tornou a sua disciplina – e no final da vida, quando conquistou todo o dinheiro que sempre quis, não conseguiu relaxar.
Uma vida inteira praticando a tensão e a angústia e a preocupação não deixou que você relaxasse.
Você não é um vencedor, é um perdedor. Você destruiu sua saúde, destruiu a sua sensibilidade, a sua sensitividade. Você destruiu o seu senso estético, porque não havia tempo para todas essas coisas que não produzem dinheiro.
Você está correndo atrás de dinheiro. Quem tem tempo para olhar as rosas? Quem tem tempo para ver os pássaros voando? Quem tem tempo para ver a beleza dos seres humanos?
Você adiou todas essas coisas para que um dia, quando tiver tudo, você possa relaxar e aproveitar. Mas, quando tiver tudo, você terá se tornado um certo tipo de pessoa disciplinada – cega para as flores, cega para a beleza, incapaz de apreciar a música, incapaz de entender a dança, a poesia, que só pode entender o dinheiro.
Mas esse dinheiro não traz satisfação.
Essa é a causa da depressão. Essa pessoa está numa condição lamentável. Ela nunca pensou no que perderia desperdiçando a vida inteira para ganhar dinheiro.
A pessoa que está correndo atrás de dinheiro ignora tudo que seja uma porta para o divino, e com o tempo ela percebe o que perdeu, ela está no fim da estrada e não existe nada diante dela a não ser a morte.
A primeira coisa na vida é descobrir significado no momento presente. O aroma básico do seu ser deve ser amor, alegria, celebração. Então você pode fazer qualquer coisa; então o dinheiro não destruirá você. Mas, em vez disso, você coloca tudo de lado para simplesmente correr atrás de dinheiro.
Essa é a causa da depressão.
O Ocidente precisa urgentemente de um grande movimento de meditação que atinja todas as pessoas; do contrário, essa depressão vai levar muita gente ao suicídio, à loucura, à hipocrisia.
Eu não prego a renúncia nem aos bens materiais nem a coisa nenhuma Vamos deixar tudo como está. Só acrescente uma coisa à sua vida. Até agora você só acrescentou coisas à sua vida. Agora acrescente algo ao seu ser – e isso criará a música, isso fará a mágica.
Não se trata de nada insolúvel. O problema é grande, mas a solução é muito simples – o silêncio...

A alma sabe perfeitamente o caminho da cura, difícil é silenciar a mente.

Um comentário:

  1. A controversas na afirmação do que seja depressão. Acredito que não esteja tão somente ligada a ambição por dinheiro, pode está também por sermos exigidos a todo tempo, o mundo nos obriga a corrermos atrás de dinheiro e estabilidade e muitas vezes quando não conseguimos, acabamos nos sentindo derrotados e entramos num estado de depressão, a ansiedade é o ápice que nos faz querer chegar ao topo o mais rápido possível e não conseguir fazer isso no tempo que desejamos, acaba matando o nosso eu por dentro e muitas vezes nos fazendo sentir incapazes de algumas realizações. As cobranças do mundo, da família da sociedade como todo, podem levar-nos a essa doença horrível. Gostei muito do seu texto, só essa parte que achei meio vaga. Mas obrigada, Forte abraço! Shirley

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