21 de ago de 2012

O mistério de "Quem sou Eu"?



Toda a nossa educação – seja através de nossos Pais, da própria sociedade, da escola e universidade - cria tensão em nós. E essa tensão persiste durante toda a sua vida.
Essa mente criada pelos outros e implantada em você nunca vai deixa-lo descansar; faça você o que fizer, ela estará sempre o condenando.
Desde a infância, a sociedade impõe certos padrões de pensamentos – competitividade, ambição, ganância, padrões em relação à sexualidade – e, como toda criança é pura, inocente, um quadro em branco você escreve o que quiser e, assim, uma falsa identidade é criada.
A criança não tem escolha. E todos nós somos tocados que nem um rebanho. Em algum momento você entra na escola, em outro momento faz o catecismo (País Cristão), e assim você é conduzido a vários grupos – porque você tem que ser o melhor, tem que ser rico, tem que ser inteligente...
Perceba... Você não escolhe nem a sua religião.
E assim vamos colhendo ansiedade, tensão, medo, raiva, angústia, tristeza, depressão.
Procure entender que essa falsa identidade que nos deram é um substituo. Mas esse substituto só é útil no mesmo grupo que deu essa identidade a você.
No momento em que você está sozinho, o falso começa a desmoronar, e o real reprimido começa a se expressar. Daí o medo de ficar sozinho.
Por isso a pessoa quer ser apoiada 24h por dia, porque o falso, sem apoio, não consegue se sustentar.
E, de repente, em um momento de solidão, você começa a sentir que não é aquilo. Isso gera medo: então, quem sou eu?
E essa lacuna, tem sido chamada pelos Místicos de “A noite escura da alma” – um momento onde você não é mais o falso e não é ainda o real.
Por isso, quando você está sozinho, surge um medo profundo porque de repente o falso começa a desaparecer. E o real surge durante um pequeno espaço de tempo. Você o perdeu há muitos anos atrás.
Então imediatamente começa a fazer alguma coisa apenas para que o falso permaneça ocupado e não comece a desaparecer.
Por isso os fins de semana são os mais difíceis para as pessoas. Durante cinco dias elas trabalham, esperando que no fim de semana possam relaxar. Mas o fim de semana é a pior ocasião em todo o mundo – o maior número de acidentes acontece nos fins de semana, mais pessoas cometem suicídio, há mais assassinatos, mais roubos, mais estupros.
É estranho... Essas pessoas estiveram ocupadas durante cinco dias e não houve problema. Mas o fim de semana, de repente, lhes proporciona uma escolha – estar ocupado em algo ou relaxar -, mas relaxar é apavorante; a falsa personalidade desaparece.
Então, mantenha-se ocupado, faça qualquer coisa idiota. As pessoas correm para as praias, enfrentando um trânsito pesado de centenas de quilômetros. Se vocês lhes perguntar para onde estão indo, elas estão “fugindo da multidão”. E toda a multidão está indo com elas! Estão todas indo em busca de um espaço silencioso, solitário – todas elas.
Na verdade, se elas permanecessem em casa teria sido mais solitário e silencioso.
E estão se apressando como loucos, correndo, porque dois dias vão terminar logo e eles têm de chegar – só não pergunte aonde! E nas praias, observe você mesmo... Elas estão abarrotadas. E, por mais estranho que pareça, as pessoas estão se sentindo muito à vontade, tomando um banho de sol. Dez mil pessoas em uma pequena praia tomando banho de sol, relaxando.
As mesmas pessoas estavam no escritório, as mesmas pessoas estavam nas ruas, as mesmas pessoas estavam no mercado, e agora as mesmas pessoas estão na praia.
Perceba... A multidão é essencial para a existência do falso eu. Se o momento é solitário, você começa a se angustiar.
No que diz respeito à meditação, o Ocidente não sabe nada. E a meditação é apenas um nome para estar sozinho, silencioso, esperando que o real se estabeleça.
É aí que se deve entender um pouquinho de meditação.
Não fique preocupado, porque o que pode desaparecer merece desaparecer. Não tem sentido se agarrar a isso; isso não é seu, não é você. Você é você quando o falso se foi e o ser novo – inocente, despoluído – surge em seu lugar.
Procure entender... Você nasceu. Você veio ao mundo com vida, com consciência, com uma enorme sensibilidade. Pense em uma criança pequena, pense em seus olhos, no seu frescor. Tudo isso foi coberto por uma falsa identidade.
E não se sabe nada sobre o dia de amanhã. Não morra antes de realizar o seu ser autêntico.
Ninguém mais pode responder à essa pergunta “Quem sou eu?” – apenas você vai saber.
Apenas essas poucas pessoas que viveram com o ser autêntico e morreram com o ser autêntico são os afortunados – porque eles sabem que a vida é eterna e a morte uma ficção.

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